UMBANDA - QUEM SÃO AS ENTIDADES DE CABOCLOS





O que é Caboclo?


Caboclo ou ainda mameluco é a denominação usada no Brasil para designar o indivíduo que foi gerado a partir da miscigenação de um índio com um branco. O caboclo é uma das “sub-etnias” existentes no Brasil, originadas a partir das miscigenações que ocorreram no país durante a colonização.

O que é caboclo
Com raiz etimológica vinda do tupi, a palavra “caboclo” significa basicamente “descendente de branco”. Alguns etimólogos, entre eles o tupinólogo Eduardo de Almeida Navarro, sugerem que a palavra seja uma derivação de “kuriboka”, também do tupi, mas que significa algo como “filho de mãe índia e pai branco”; ou ainda “caa-boc”, cujo significado é “aquele que vem da floresta”.

Embora seu principal significado seja usado para definir etnia, “caboclo” também é um nome utilizado para adjetivar o jeito rústico e por vezes, traiçoeiro, do homem do sertão brasileiro; além de representar também o indígena em diversas partes do país. Em vários artigos literários e também em algumas canções a palavra é usada para representar esses grupos de pessoas do Brasil.

Os termos equivalentes culturalmente utilizados para “caboclo” são: mameluco, caiçara, cariboca e também a forma coloquial “caboco”, defendida no dicionário do folclore brasileiro por Câmara Cascudo como forma devidamente aceitável.

Os caboclos formam o maior grupo populacional na região Norte do Brasil e também em determinados estados do Nordeste brasileiro, como o Rio Grande do Norte e o Piauí.

O caboclo na umbanda
A umbanda é uma religião brasileira que sintetiza diversos elementos das religiões africanas. Formada a partir do século XX, engloba características e costumes do Candomblé, do Catolicismo e também do Espiritismo. É popularmente conhecida por combinar os tradicionais orixás africanos com os santos católicos, e os espíritos de origem indígena.

Dentro da umbanda, a figura do “caboclo” é a de um espirito evoluído, que incorpora em “pais de santo”, como são conhecidos os indivíduos capazes de receber as entidades espíritas.

O caboclo na umbanda se apresenta na forma de um indígena, que é responsável por guiar as pessoas no plano terrestre e fazer caridades sobre suas vidas.

As oferendas de caboclo são fartas e variadas, constituída de uma grande variedade de frutas, legumes, raízes e até mesmo doces. Um elemento indispensável é a abóbora girimum, que são recheadas com fumo de rolo e mel de abelha, oferenda de galos, carneiros, peru e qualquer pássaro, são bem vindos e apreciados. A jurema é a bebida sagrada, considerada o néctar dos deuses e  disputada não só pelas entidades, mas por todos os presentes.



As oferendas aos caboclos devem ser feitas em matas, beiras de rios e cachoeiras.


Oferenda para qualquer caboclo:


  • Material
  • 1 alguidar
  • 7 frutas doces
  • 7 moedas douradas ( lavadas e secas)
  • 7 folhas de louro
  • 7 velas verdes
  • Vinho licoroso doce
  • 1 copo de barro
  • 1 charuto


Modo de preparo:

Passe as frutas, as moedas e as folhas de louro simbolicamente por seu corpo de baixo para cima pedindo aos caboclos que abram seus caminhos, afastando tudo que possa atrapalhar sua vida. Peça que os caboclos cortem demandas, pragas, maldições, olho gordo, inveja e o quebranto. Coloque as frutas no alguidar e enfeite com as moedas e as folhas de louro, regue tudo com um pouco de vinho. Coloque o copo ao lado enchendo com vinho. Acenda as velas ao redor, tomando cuidado para não por fogo na oferenda, acenda o charuto dando três baforadas, chamando pelos caboclos (ou por seu caboclo de preferência) coloque sobre o alguidar. Saude os caboclos 7 vezes. Faça seus pedidos e orações.


Oferenda aos caboclos 2 qualquer caboclo

  • Material 
  • 1 alguidar
  • 7 frutas doces
  • 7 espigas de milhos cozidos
  • 7 pedaços de mandioca cozidas
  • 3 batatas doces cozidas
  • 7 pedaços de cana de açúcar sem casca
  • 7 ramos de folhas de louro
  • 7 moedas douradas ( lavadas e secas)
  • 7 espigas de trigo secas
  • 7 velas verdes
  • Vinho licoroso doce
  • 1 copo de barro
  • 1 charuto


Modo de preparo

Forre o alguidar com as folhas de louro. Passe as espigas de milho e as frutas simbolicamente de baixo para cima, fazendo seus pedidos. Coloque no alguidar de forma harmônica. Faça o mesmo com a mandioca, a batata doce e a cana de açúcar. Enfeite com as moedas e regue tudo com o vinho licoroso. Coloque o copo cheio de vinho ao lado do alguidar. Acenda o charuto e coloque sobre o alguidar as velas ao redor. Saude os caboclos e faça seus pedidos e orações.


Oferenda ao Caboclo 7 Flechas.


  • Material
  • 1 alguidar
  • 7 peras d’água
  • 1 melão cortado em 7 pedaços
  • 1 cacho de uvas verdes
  • 7 velas metade branca metade verde
  • 7 rosas brancas
  • Vinho licoroso claro e doce
  • 1 cocar de penas brancas (opcional)

Modo de preparo:

Coloque o melão cortado em 7 pedaços no centro do alguidar, com o cacho de uvas no centro, disponha as peras ao redor. Enfeite com as rosas brancas e regue com o vinho licoroso. Passe o alguidar simbolicamente de baixo para cima pedindo ao Caboclo Pena Branca o que desejar. Coloque o alguidar no chão, acenda as velas ao redor. Coloque o cocar sobre o alguidar. Saude o Caboclo Pena Branca 7 vezes, fazendo seus pedidos e orações.


Oferenda ao Caboclo Sete Flechas


  • Material
  • 1 alguidar
  • 7 frutas doces
  • 7 galhos de folhas de louro
  • 7 pedaços de cana de açúcar sem casca
  • 1 peixe assado (limpo e sem vísceras)
  • 1 arco e 7 flechas
  • 7 velas verdes
  • 7 moedas douradas ( lavadas e secas )
  • Vinho licoroso doce

Modo de preparo:

Passe as frutas e os pedaços de cana simbolicamente por seu corpo de baixo para cima, fazendo seus pedidos ao Caboclo Sete Flechas e coloque no alguidar. Coloque o peixe no meio do alguidar enfeitando com as folhas de louro e as moedas. Regue tudo com o vinho licoroso. Coloque no arco sobre o alguidar com uma das flechas. Disponha as outras seis flechas em volta com as pontas para cima presa a ele. Acenda as velas ao redor saudando o Caboclo Sete Flechas sete vezes. Faça seus pedidos e orações.

Oferenda a Cabocla Jurema


  • Material
  • 1 alguidar
  • 1 maço de flores do campo
  • 7 galhos de folhas de louro
  • 3 maças vermelhas
  • 3 peras
  • 3 pêssegos
  • 1 peixe assado (limpo e sem vísceras)
  • 3 espigas de milho cozidos
  • 3 batatas doces cozidas
  • 7 velas verdes
  • 1 cocar de penas (opcional)
  • 1 arco e flecha (opcional)
  • 7 moedas douradas ( lavadas e secas )
  • Vinho licoroso


Modo de preparo:

Forre o alguidar com os ramos de louro. Coloque as frutas, as espigas de milho, as batas e o peixe no canto. Enfeite com as moedas e as flores. Regue tudo com o vinho licoroso. Acenda as velas ao redor colocando o cocar e o arco e flecha sobre o alguidar. Saude a Cabocla Jurema 7 vezes. Faça seus pedidos e orações.


Oferenda ao Caboclo arranca-toco.


  • Material
  • 1 alguidar
  • Folhas de samambaia
  • 7 frutas doces
  • 7 moedas douradas ( lavadas e secas )
  • 7 pedaços de mandioca cozida
  • 7 batatas doces cozidas
  • 7 carás pequenos cozidos
  • 1 copo de barro
  • Vinho licoroso
  • 7 velas verdes
  • 1 arco e flecha


Modo de preparo:

Forre o alguidar com as samambaias colocando por cima as frutas, a mandioca, a batata e o cará. Regue com bastante vinho licoroso e enfeite com as moedas. Passe o alguidar simbolicamente de baixo para cima fazendo seus pedidos ao Caboclo caboclo arranca-toco. Coloque o alguidar próximo a uma árvore frondosa. Acenda as velas ao redor tomando cuidado para não por fogo na mata. Pegue o arco e flecha e atire em direção à mata, chamando pelo Caboclo Flecheiro. Faça seus pedidos e orações.

Oferenda aos Caboclos 3

  • Material
  • 1 abóbora tipo moranga
  • 3 maças vermelhas
  • 3 peras
  • 3 bananas
  • 1 cacho de uvas
  • 1 pêssego
  • 3 laranjas lima
  • 3 colheres de sopa de mel
  • Vinho licoroso
  • 7 espigas de milho verde cozidas
  • 7 moedas correntes ( lavadas e secas )
  • 7 folhas de louro verde
  • 7 velas verdes
  • 1 alguidar


Modo de preparo:

Abra a parte de cima da abóbora e retire as sementes. Coloque a abóbora em uma panela com água deixando ferver por 10 minutos. Retire a abóbora e deixe esfriar. Pique as frutas em cubos misturando com mel. Coloque-os dentro da abóbora. Coloque por cima as 7 espigas de milho cozidas espetadas sobre as frutas. Enfeite com o louro e as moedas. Regue com bastante vinho licoroso. Coloque a moranga no alguidar. Acenda as velas ao redor, saudando os caboclos. Faça seus pedidos e orações.

O caboclo tradicional é valente, selvagem antes de tudo, destemido, intrépido, ameaçador, sério e muito competente nas artes das curas. Enquanto o preto-velho consola e sugere, o caboclo ordena e determina. O preto-velho acalma, o caboclo arrebata. O preto-velho contempla, reflete, assente, recolhe-se na imobilidade de sua velhice e de seu passado escravo; o caboclo mexe-se, intriga, canta e dança como o guerreiro livre que um dia foi. Os caboclos fumam charuto e os preto-velhos, cachimbo; todas as entidades da umbanda fumam — a fumaça e seu uso ritual marcam a herança indígena da umbanda, aliança constitutiva com o passado do solo brasileiro.

Caboclo Ogum Rompe-Mato, imagem de cultoProduto do sincretismo da pajelança indígena com os ritos afro-brasileiros, os caboclos resultam da associação dos orixás, voduns e inquices com figuras ameríndias, ligadas às florestas e às matas. 

Os caboclos e caboclas geralmente são representados como indígenas muito idealizados. Freqüentemente usam cocares vistosos, calças e saiotes e raramente se assemelham aos verdadeiros indígenas brasileiros. São moldados pelos bons selvagens do imaginário nacional, tal como concebidos por José de Alencar e outros autores da literatura romântica indigenista do século XIX, e mesmo pela imagem dos índios de filmes estadunidenses.
Seus nomes ligam–se aos seus domínios e supostas origens étnicas, às vezes associado ao nome do orixá ao qual supostamente estão subordinados e do qual, muitas vezes, são uma simples transposição para o imaginário da Umbanda. Alguns deles têm nomes de personagens indígenas da história, do folclore e da literatura. 
Cabocla Iracema Flecheira, imagem de cultoEntre os do sexo masculino mais conhecidos, contam-se: Araponga, Araribóia, Águia-Branca, Águia-da-Mata, Aimoré, Araribóia, Araúna, Arranca-Toco, Arruda, Beira-Mar, Boiadeiro, Caçador, Caramuru, Carijó, Catumbi, Cipó, Cobra-Coral , Coração da Mata, Corisco, Flecha-Dourada, Flecha-Ligeira, Flecheiro, do Fogo, Gira Mundo, Girassol, Guaraci, Guarani, Humaitá, Inca, do Vento, Jibóia, João da Mata, Junco Verde, Juremeiro, Laçador, Laje Grande, Lírio Verde, Lua, Mata Virgem, Ogum Beira-Mar, Ogum Iara, Ogum da Lei, Ogum da Lua, Ogum Malê, Ogum das Matas, Ogum Matinada, Ogum Megê, Ogum dos Rios, Ogum Rompe-Mato, Olho de Lobo, do Oriente, Oxóssi da Mata, Pajé, Pantera Negra, Pedra-Branca, Pele-Vermelha, Pena Azul, Pena-Branca, Pena-Dourada, Pena-Preta, Pena-Roxa, Pena-Verde, Pena-Vermelha, Peri, Quebra-Demanda, Rei-da-Mata, Rompe-Folha, Rompe-Mato, Roxo, Samambaia, Serra Negra, Sete-Cachoeiras, Sete-Cobras, Sete-Demandas, Sete-Encruzilhadas, Sete-Estrelas, Sete-Flechas, Sete-Folhas-Verdes, Sete-Montanhas, Sete-Pedreiras, Sol, Sultão da Mata, Tibiriçá, Tira-Teima, Treme-Terra, Tupã, Tupi, Tupi-Guarani, Tupinambá, Tupiniquim, Ubirajara, Ubirajara Flecheiro, Ubiratã, Urubatão, Vence Tudo, Ventania, Vigia das Matas, Vira Mundo, Xangô Agodô, Xangô Cao, Xangô da Mata, Xangô Pedra-Branca, Xangô Pedra-Preta, Xangô Sete-Cachoeiras, Xangô Sete-Montanhas e Xangô Sete-Pedreiras.

Do sexo feminino, são nomes mais conhecidos:
 Araci, Estrela-do-mar, Caboclinha da Mata, Caçadora, 
Diana da Mata, Guaraciara, Iansã, Iara, Indaiá, 
Iracema Flecheira, Jacira, Jandira Flecheira, Jarina, Jupira,
 Jurema, Jurema da Mata, Jurema do Mar, Jurema do Rio, 
Jurema Flecheira, Juremeira, Juçara, Cabocla do Mar, 
Cabocla da Mata, 
Nanã Burucum e Oxum. 

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